terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Meu maracujá não é de gaveta

Em meio a ausência de todas as cores, reconheci o amarelo brilhante do maracujá. Ele já foi da minha vizinha, mas caído no chão da noite é muito mais meu.

O desgastante bate boca com o chefe ao final do expediente cansou-me mais do que as 8 horas regidas pelo contrato. Não as chamo de horas trabalhadas, mas de horas desculpadas, pois nelas encontram-se as desculpas para eu não saber quando e porque meu maracujá caiu no colo da terra e não no meu. Que horas aconteceu? Também não sei, mas estou desculpada.

Em tempos passados, quando eu ainda nem morava aqui no mato, o pé de maracujá se apossou da copa do flamboyant. Desde então, os frutos se revelam apenas aos que ousam olhar para cima, para além do próprio umbigo, além do caminho a frente ou dos passos atrás. E, lá em cima, ousados modernos avistam pontinhos amarelos ou verdes  no céu, ora azul celeste ora branco encoberto.

Hoje, eu quero mesmo é adormecer induzida pelo doce do meu maracujá. E amanhã, quem sabe novamente encontrar em minha viela mais motivos para acordar?

"Dance mochileira que eu toco a guitarra" Almir Sater